FIV: como é feita a transferência de embriões?

15/10/2019

A FIV (fertilização in vitro) é uma técnica de reprodução assistida cujo desenvolvimento possibilitou que casais inférteis tivessem a chance de ter filhos biológicos. Esse procedimento é realizado em cinco etapas, podendo contar com técnicas complementares que visam aumentar suas chances de sucesso.

As cinco etapas principais da FIV são: estimulação ovariana, aspiração folicular e coleta dos espermatozoides, fecundação, cultivo dos embriões e a transferência embrionária.

A fertilização in vitro (FIV)

A FIV, procedimento de reprodução assistida com maiores índices de sucesso da atualidade, é realizada em etapas que possibilitam o acompanhamento médico especializado em cada estágio pré e pós-concepção, visando aumentar as chances de que uma gravidez ocorra.

A etapa de estimulação ovariana, a primeira, consiste na administração de medicamentos hormonais que buscam estimular o amadurecimento de mais de um gameta feminino no mesmo ciclo de ovulação.

Esses gametas são então coletados durante a etapa de punção ovariana, que deve ocorrer ao mesmo tempo que a coleta dos espermatozoides, que geralmente é feita por masturbação.

Esses gametas são então colocados em uma placa de vidro para que a fecundação possa ocorrer naturalmente, ainda que em meio laboratorial. Atualmente, a injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) tem sido mais indicada, que consiste na inserção do espermatozoide no citoplasma do óvulo por meio de uma agulha fina (que faz parte de um instrumento chamado micromanipulador de gametas).

Os embriões gerados dessa fecundação são mantidos sob observação na etapa de cultivo embrionário, podendo ser submetidos a testes a fim de possibilitar que os melhores sejam escolhidos para a etapa final, que consiste na transferência desses embriões para o útero da paciente.

Como é feita a transferência embrionária?

A etapa final da FIV visa transferir os embriões gerados em meio laboratorial para a cavidade uterina, para que possam se implantar no tecido endometrial. Essa implantação é chamada de nidação e é considerada o início da gestação.

Antes de realizar a transferência embrionária, devem ser selecionados os embriões a serem transferidos. Essa seleção é feita com base em critérios de qualidade e quantidade, sendo esse último critério regulado pela resolução n. 2168 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Essa resolução diz que mulheres com até 35 anos devem receber o número máximo de dois embriões. Essa quantidade aumenta para três em casos de pacientes entre 35 e 40 anos e, por fim, mulheres acima dos 40 anos podem receber um máximo de quatro embriões.

Ao realizar a transferência embrionária, o profissional deve buscar causar pouco ou nenhum trauma no tecido endometrial. O procedimento não requer anestesia e deve ser realizado quando a paciente estiver de bexiga cheia, para que o líquido melhore a visualização do ultrassom ao auxiliar na propagação do som.

Os embriões são transferidos com o auxílio de um cateter fino introduzido pela vagina e que vai até a cavidade uterina. A duração aproximada da etapa de transferência embrionária é de 15 minutos.

O que ocorre após a transferência embrionária

Após a transferência embrionária, o embrião deve se implantar na parede uterina, na etapa chamada nidação. Caso essa implantação ocorra com sucesso, tem-se início a gestação.

A nidação é um processo que ocorre na gestação natural e também em todas as técnicas de reprodução assistida, sendo fundamental para a gravidez.

Quando a nidação ocorre com sucesso, o hormônio da gravidez, hCG, passa a ser produzido, a placenta passa a se formar e o embrião começa a se desenvolver no útero materno.

Para que a nidação ocorra com sucesso, dois fatores se fazem necessários, sendo eles a receptividade uterina e a qualidade embrionária.

Em procedimentos como a FIV é possível realizar testes que visam analisar a receptividade endometrial, a fim de determinar com maior precisão qual o melhor momento para que a transferência embrionária seja realizada.

A qualidade do embrião é determinada antes de sua transferência.

Taxa de sucesso da FIV

A FIV é o procedimento de reprodução assistida com maiores taxas de sucesso, sendo um dos mais recomendados para tratar casos variados de infertilidade. As diversas técnicas complementares contribuem para que essas taxas de sucesso sejam ainda maiores.

Há, entretanto, fatores que devem ser considerados, como a idade da paciente, que exerce influência direta na qualidade dos óvulos e, consequentemente, na qualidade do embrião, o que pode fazer com que haja chances maiores de falha de implantação.

As taxas de sucesso da FIV tendem a diminuir a partir dos 30 anos de idade.

A FIV é uma técnica de reprodução assistida cujo desenvolvimento representou uma revolução no tratamento da infertilidade, fazendo com que casais inférteis tivessem a possibilidade de ter filhos biológicos.

A divisão da FIV em etapas permite a observação de cada estágio pré e pós-fecundação, permitindo também que sejam selecionados os melhores gametas para que, dessa forma, sejam gerados embriões de qualidade para serem transferidos. Saiba mais sobre a FIV aqui.

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