A FIV pode ser indicada em casos de SOP?

14/10/2019

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais causas de infertilidade feminina. Ela causa um distúrbio hormonal que altera a ovulação, diminuindo as chances de uma gravidez natural. A ausência da ovulação (anovulação) pode ser tratada com a estimulação ovariana, que é uma etapa presente nas técnicas de reprodução assistida.

A fertilização in vitro (FIV) é a técnica de reprodução assistida que apresenta a maior taxa de sucesso e, por isso, é bastante indicada em casos de infertilidade, inclusive para pacientes com SOP.

Continue a leitura para saber mais sobre essa condição e a sua relação com a FIV. Vamos lá?

 

O que é SOP?

A SOP é uma condição ligada ao sistema endócrino, muito comum durante a idade reprodutiva, e atinge cerca de 5% a 10% das mulheres. Apesar da sua relação com a infertilidade ser muito conhecida, a SOP não afeta apenas o sistema reprodutor feminino.

Ela é considerada uma doença multifatorial devido a sua influência em todo o organismo, sendo uma das causas de hirsutismo (excesso de pelos), obesidade, diabetes e hiperinsulinemia (maior resistência à insulina).

Durante o ciclo menstrual, vários folículos ovarianos se desenvolvem, mas apenas um é liberado pelo ovário, em um processo chamado ovulação. Porém, a SOP causa um desequilíbrio hormonal, fazendo com que os folículos se desenvolvam parcialmente e não se rompam. Dessa forma, eles se acumulam e formam os “ovários policísticos”.

Ou seja, a SOP é um dos fatores responsáveis pela ausência da ovulação (anovulação), que pode causar a infertilidade feminina. Como a mulher passa a ovular menos, as chances de uma gravidez são menores.

Diagnóstico

O diagnóstico da SOP não é simples, pois não há um consenso sobre as suas causas. Porém, ele é confirmado quando existe a presença de dois dos seguintes parâmetros:

  • menstruação irregular (oligomenorreia ou anovulação);
  • distúrbio endócrino causado pelo excesso de hormônios androgênios, como a testosterona (hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial) e;
  • presença de ovários policísticos.

Ela é confirmada com base no histórico da paciente e exames, como a ultrassonografia transvaginal e o de sangue. Por meio do histórico, é possível identificar a frequência do período menstrual, o peso, a presença de acne, o excesso de pelos e a dificuldade em engravidar. A ultrassonografia é importante para verificar a presença de cistos nos ovários e o exame de sangue é utilizado para analisar os índices de colesterol, diabetes e hormônios masculinos.

Tratamento

A mudança no estilo de vida da paciente tem um papel muito importante no tratamento, pois a SOP aumenta os riscos de obesidade, diabetes e hipertensão.

Além disso, existem dois tratamentos para a síndrome: o uso de anticoncepcionais hormonais e a FIV. O primeiro é utilizado para pacientes que não têm o desejo de engravidar no momento, relatam menstruação irregular e revelam pelos em excesso. E a FIV é recomendada para o tratamento de infertilidade para os casais que desejam ter filhos.

O que é FIV?

A FIV é uma das técnicas de reprodução assistida mais conhecidas atualmente devido aos seus bons resultados. Ela é considerada como um tratamento de alta complexidade porque a fecundação (encontro do óvulo e do espermatozoide) acontece em um laboratório. Em comparação, a inseminação artificial (IA) e a relação sexual programada (RSP) são métodos de baixa complexidade, pois a fecundação ocorre dentro do útero.

A estimulação ovariana está presente em todas as técnicas de reprodução assistida, porém, como a FIV é a que mais provoca o crescimento dos folículos, é geralmente a mais indicada para pacientes com SOP.

Qual é a importância da estimulação ovariana nos casos de anovulação?

A SOP é responsável por cerca de 40% dos casos de infertilidade feminina. Um dos tratamentos para a infertilidade causada pela anovulação é estimular a ovulação por meio de medicamentos hormonais, procedimento chamado de estimulação ovariana.

Cada mulher responde à estimulação ovariana de uma maneira diferente. Por isso, essa etapa deve ser feita com o apoio de uma equipe especializada. A realização de alguns exames para verificar a dosagem hormonal e a reserva ovariana são importantes para definir qual medicação hormonal será utilizada, sua frequência e duração.

Qual é a taxa de sucesso da FIV em pacientes com SOP?

A FIV tem uma taxa de sucesso de, em média, 40% por tentativa. Por isso, ela é a técnica de reprodução assistida mais bem-sucedida atualmente.

No entanto, a SOP pode prejudicar os resultados da FIV. Segundo um estudo que comparou os resultados da FIV em pacientes com SOP e mulheres com ovários normais, o primeiro grupo apresentou a menor taxa de fertilização e a maior incidência de síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO).

A SHO é uma condição na qual os ovários são estimulados em excesso, podendo afetar a saúde da mulher. Pacientes com SOP respondem com mais intensidade à estimulação ovariana porque os ovários policísticos possuem vários folículos parcialmente desenvolvidos. Com isso, a medicação hormonal estimula um número muito maior de folículos.

A SHO é uma condição rara e, para diminuir os riscos, as pacientes com SOP recebem doses reduzidas de hormônios. Apesar disso, a FIV permanece sendo o melhor tratamento para a SOP, especialmente para os casos em que a anovulação não é a única causa de infertilidade.

A SOP é uma doença multifatorial que afeta o organismo como um todo devido as suas alterações nos sistemas endócrino, metabólico e reprodutivo. A FIV pode ser indicada em casos de SOP porque a sua etapa de estimulação ovariana é a que permite o desenvolvimento de um número maior de folículos.

Muitas mulheres são diagnosticadas com SOP tardiamente e, apesar de não poder ser prevenida, um diagnóstico precoce pode evitar complicações futuras. Por isso, que tal compartilhar esse artigo nas suas redes sociais para espalhar esse conhecimento?

Compartilhe nas redes sociais!